O Livro de Enoque é um texto apocalíptico judaico do período do Segundo Templo, tradicionalmente atribuído a Enoque, bisavô de Noé. Embora excluído do cânon da maioria das tradições cristãs e judaicas, é considerado canônico pela Igreja Ortodoxa Etíope (Tewahedo). Fragmentos aramaicos do livro foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumran. A tradução aqui utilizada é uma versão em português baseada na edição acadêmica de R.H. Charles (1917) da Oxford University Press.
Enoque
Capítulo 26 — Jerusalém e as Montanhas, Ravinas e Riachos.
E fui dali para o meio da terra, e vi um lugar abençoado "no qual havia árvores" com ramos permanecendo e florescendo [de uma árvore desmembrada].
E ali vi uma montanha santa, "e" debaixo da montanha para o oriente havia um riacho e fluía em direção ao sul.
E vi em direção ao oriente outra montanha mais alta do que esta, e entre elas uma ravina profunda e estreita: nela também corria um riacho "debaixo" da montanha.
E para o ocidente dela havia outra montanha, mais baixa do que a primeira e de pequena elevação, e uma ravina "profunda e seca" entre elas: e outra ravina profunda e seca estava nas extremidades das três montanhas.
E todas as ravinas eram profundas e estreitas, (sendo formadas) de rocha dura, e não foram plantadas árvores sobre elas.
E maravilhei-me com as rochas, e maravilhei-me com a ravina, sim, maravilhei-me muito.