O Livro de Enoque é um texto apocalíptico judaico do período do Segundo Templo, tradicionalmente atribuído a Enoque, bisavô de Noé. Embora excluído do cânon da maioria das tradições cristãs e judaicas, é considerado canônico pela Igreja Ortodoxa Etíope (Tewahedo). Fragmentos aramaicos do livro foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumran. A tradução aqui utilizada é uma versão em português baseada na edição acadêmica de R.H. Charles (1917) da Oxford University Press.
Enoque
Capítulo 37
A segunda visão que ele viu, a visão da sabedoria — que Enoque, o filho de Jarede, o filho de Maalalel, o filho de Cainã, o filho de Enos, o filho de Sete, o filho de Adão, viu.
E este é o princípio das palavras de sabedoria que levantei a minha voz para falar e dizer aos que habitam na terra: Ouvi, vós homens do tempo antigo, e vede, vós que vindes depois, as palavras do Santo que falarei diante do Senhor dos Espíritos.
Seria melhor declarar (apenas) aos homens do tempo antigo, mas mesmo daqueles que vêm depois não esconderemos o princípio da sabedoria.
Até ao dia de hoje, tal sabedoria nunca foi dada pelo Senhor dos Espíritos como eu recebi segundo o meu entendimento, segundo o bom prazer do Senhor dos Espíritos por quem a porção da vida eterna me foi dada.
Agora, três parábolas me foram concedidas, e levantei a minha voz e narrei-as àqueles que habitam na terra.